Aprender Uma Língua Estrangeira Previne O Envelhecimento Cerebral

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Aprender Uma Língua Estrangeira Previne O Envelhecimento Cerebral

Um estudo realizado entre 2008 e 2010 pela Universidade de Edimburgo sugere que aprender uma segunda língua pode ter um efeito positivo sobre o cérebro, mesmo em pessoas adultas e na terceira idade. Os pesquisadores avaliaram 262 pessoas e descobriram que a fluência verbal e inteligência dessas pessoas melhoraram bastante, independente da idade ou fase da vida em que a pessoa esteja aprendendo. A idade dos participantes variava entre 11 e setenta anos.

Vários outros estudos comprovam que dominar uma ou mais línguas estrangeiras pode adiarar envelhecimento do cérebro e prevenir ou retardar o aparecimento da demência e outras doenças degenerativas por vários anos. Segundo o Doutor Norton Sayeg da Alzheimer Med, “Demência é um grupo de sintomas caracterizado por um declínio progressivo das funções intelectuais”, comprometendo gravemente a memória e as atividades sociais e profissionais do indivíduo, levando a pessoa a esquecer, até mesmo, quem são os seus familiares mais próximos e mais queridos. A forma mais comum de demência é a doença de Alzheimer.

Doutor Norton afirma que “a segunda causa mais frequente de demência é a demência por múltiplos infartos cerebrais, uma série de pequenos derrames” e também a partir de outras doenças do sistema nervoso como a doença de Parkinson.

O estudo de uma língua estrangeira, além de outras atividades intelectuais, aliados a uma vida saudável, como uma boa alimentação e prática de exercícios físicos e meditação, contribuem de forma decisiva para prolongar a qualidade de vida e a saúde do cérebro.

A questão central neste da pesquisa da Universidade de Edimburgo era, se aprender uma nova língua melhorava as funções cognitivas ou se os indivíduos com melhores habilidades cognitivas eram mais propensos a se tornarem bilíngues. Dr Thomas Bak, do Centre for Cognitive Ageing and Cognitive e Epidemiology da Universidade de Edimburgo, disse que acreditava que tinha encontrado a resposta. Ele afirma que milhões de pessoas em todo o mundo aprendem uma segunda língua mais tarde na vida. O estudo mostra que aprender uma segunda língua, mesmo na idade adulta pode beneficiar o cérebro de pessoas com mais idade.

Usando dados de testes de inteligência em 262 indivíduos nascidos em Edimburgo com a idade de 11, o estudo analisou a forma como as suas capacidades cognitivas havia mudado quando eles foram testados novamente aos setenta anos. Todos os participantes disseram que eram capazes de comunicar-se em pelo menos uma língua diferente do Inglês.
Desse grupo, 195 aprenderam a segunda língua antes da idade de 18 anos, e 67 aprenderam após essa idade. Os resultados indicam que aqueles que falavam duas ou mais línguas tinham significativamente melhores habilidades cognitivas em relação ao que seria de esperar de seu teste de linha de base.

Dr. Bak afirma que o padrão que eles encontraram foi “significativo” e as melhorias na atenção, foco e fluência não poderiam ser explicada pela inteligência original. “Estes resultados são de grande relevância prática. Milhões de pessoas ao redor do mundo adquirem sua segunda língua mais tarde na vida. Nosso estudo mostra que o bilinguismo, mesmo quando adquiridos na idade adulta, pode proteger o cérebro do envelhecimento.”

Mas ele admitiu que o estudo também levantou muitas questões, tais como se aprender mais de um idioma, também poderia ter o mesmo efeito positivo sobre o envelhecimento cognitivo e se falar ativamente uma segunda língua é melhor do que apenas saber falar.

Dr. Álvaro Pascual-Leone, professor de medicina na Harvard Medical School, em Boston, EUA, disse que “O estudo epidemiológico fornece um primeiro passo importante para a compreensão do impacto da aprendizagem de uma segunda língua e o envelhecimento do cérebro. “Esta pesquisa abre caminho para estudos causais futuros do bilinguismo e a prevenção do declínio cognitivo.”

Por Claudio Domingos